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No contexto da construção de um município saudável e limpo no domínio do saneamento básico, a Câmara Municipal e a empresa Salimpa inauguraram na sexta-feira, 16 de Julho, o Aterro Sanitário do Sal, localizado no Morrinho de Açúcar. O aterro tem a capacidade para receber, em volume, 16.000 de lixo e tem uma vida útil projectado para 2-3 anos.
Neusa Fortes, técnica da Salimpa, garante que todas as exigências técnicas internacionais foram respeitadas para a construção do aterro e diz sentir-se orgulhosa em estar a inaugurá-lo, depois de um ano e dois meses de trabalho. Inicialmente tudo o que é lixo (plástico, vidro, metal, papel e outros) será depositado no aterro, mas Fortes garante que “dentro em breve a empresa Salimpa irá criar condições para fazer a selecção de vidro e metal para que possamos explorar da melhor forma o aterro” que “ é pequeno em tamanho, mas com grande valor a nível ambiental”, disse. De acordo com Neusa Fortes o aterro irá permitir fazer estudos ainda não realizadas no país, tais como de lixiviação do lixo e do índice de biogás. Por último, lançou um apelo aos salenses para porem em prática as recomendações dadas sobre o tratamento adequado do lixo. “Separar o vidro e o metal e colocá-los no ecoponto adequado é a única contribuição que o povo de Dja d’Sal nos pode dar”, realçou.
A delegada de Saúde, Ana Paula, que esteve no acto da abertura, é de opinião que o local escolhido para a construção do aterro foi bem pensado, o que “nos deixa um bocado aliviados” na medida em que, estando longe da população, as pessoas deixam de vasculhar o lixo hospitalar. A delegada deseja “vida longa ao aterro” e apela à população a se “consciencializar sobre o tratamento do lixo, pois as pessoas no geral ainda não sabem dar o devido tratamento ao seu lixo”.
O Presidente da Câmara Municipal, Jorge Figueiredo, é de opinião que agora mais do que nunca é fundamental apostar na educação das pessoas quanto ao tratamento do lixo. “Precisamos educar as pessoas sobre o devido tratamento do lixo. Não há possibilidade de termos uma ilha limpa se os cidadãos não reconhecerem a necessidade de tratarem adequadamente o seu lixo”, frisou. Figueiredo lançou um repto para todo o Cabo Verde, pedindo o apoio do poder central, no sentido de que “ao lixo não pode ser dado um tratamento devido se não houver recursos financeiros, se não houver equipamentos necessários e se não houver trabalhadores com formação adequada”. O edil salense apela a todos os pais e encarregados de educação e às instituições escolares a darem uma adequada atenção ao manuseio e tratamento do lixo, mostrando e ensinando as crianças a fazer do seu espaço um ambiente limpo e saudável, pois “as crianças são as grandes transformadoras da mentalidade” neste caso em particular.
Funcionamento do Aterro Sanitário
O processo é simples: logo que o lixo é depositado no aterro é de imediato espalhado no solo, compactado e coberto com terra, de modo a que não haja nem libertação de mau cheiro nem criação de moscas. O aterro irá funcionar de segunda a sábado, das 9h às 16h, com um serviço de guardas 24 sobre 24 horas.
Os particulares
Tal como está previsto no regulamento dos resíduos do município, qualquer particular que queira depositar o seu lixo directamente no aterro, deve pagar uma taxa cobrada em função da tonelada e /ou volume do lixo a depositar; e para tal deverá adquirir o seu talão de depósito nos Espargos – na loja XXL sita no Polidesportivo, Em Santa Maria – na Delegação Municipal e na Palmeira – na Agência Municipal. Ao chegar no Aterro, o particular deve entregar a senha para que o guarda de serviço o possa deixar depositar o lixo o qual receberá o tratamento devido.
Estatísticas
Os dados revelados pela Salimpa mostram que a quantidade de lixo que é recolhido pela empresa chega a atingir, em média, por dia, os 20 toneladas; sendo que 25% é vidro, 10% é plástico, 6% é papel, 3% têxteis, 1% madeira, 48% matéria orgânica, 1% escombros de construção civil, 4% metais ferrosos, 1% metais não ferrosos e 1% resíduos perigosos.
Projectos futuros
Rui Ramos, Administrador-Delegado da Salimpa, que vê a construção e abertura do aterro como sendo “o primeiro passo na vida da empresa”, diz que a Salimpa já tem na sua posse a contentorização necessária à implementação da reciclagem para poder desenvolver sua politica que é a da reutilização dos resíduos produzidos na ilha. “ Neste momento já temos destino final para o vidro e já está sendo implementado a sua trituração que pode ser reutilizado na ilha. Também já temos pessoas interessadas em fazer a selecção do papel e do plástico que, paulatinamente, será implementada nos hotéis e junto dos estabelecimentos comerciais. Teremos ainda viaturas próprias para a recolha dos resíduos, para que não haja misturas entre resíduos sólidos urbanos e resíduos banais.” Com toda essa dinâmica, Ramos imagina que “com isso prevemos aumentar o aterro sanitário para o dobro”, ou seja o tempo de vida útil do aterro passará de 2 a 3 anos para 4 a 6 anos.
A empresa Salimpa
Saiba mais sobre a empresa clicando no link: Salimpa
Texto: Gilberto Neves Fotografia: Moisés Estrela
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